Falar sobre Harry Potter and The Cursed Child é complicado. Primeiro, porque sou uma grande fã da saga e foi impossível assistir à peça sem tomar partido e surtar em vários momentos como uma boa potterhead. Segundo, pois quero respeitar a vontade de J.K. Rowling e #KeepTheSecrets. Então, não posso simplesmente escrever uma resenha cheia de spoilers e entregar o jogo de quadribol, né? Por último, como falar de algo que eu sei que muitos já têm uma opinião formada por terem lido o roteiro da peça e detestado? Como fazer essas pessoas acreditarem em mim?
Querido potterhead, preciso ser sincera com você: eu amei o roteiro de Cursed Child e irei protegê-lo. Eu sei que em muitos momentos a história não bate e que nem de longe ela é uma obra digna de Rowling. Mas é o roteiro de uma peça e foi escrito para funcionar em cima dos palcos e não em folhas de papel. E funciona! Esqueça todo e qualquer tipo de espetáculo teatral que você já tenha visto até hoje. Nós estamos lidando com atores voando em cena, varinhas que disparam fogo de verdade, dementadores que deixam todo o teatro gelado, transfigurações ao vivo e um lago negro no meio do palco. Surreal é pouco para descrever o que vi!
A peça é dividida em duas partes e cada uma tem cerca de 2h30 de duração. Se você der sorte, consegue assistir à peça toda no mesmo dia. Se não, terá que esperar até o dia seguinte. Na verdade, sinto dizer que The Cursed Child já tem ingressos esgotados até 2018! Mas tem um jeito de você conseguir ver o espetáculo – e não é usando magia. Foi o que fiz.
Existe um esquema chamado “queue for returns”, em que alguns ingressos devolvidos são revendidos no próprio teatro. Todo dia em que há exibição da peça, a partir das 10h, um funcionário da bilheteria do Palace Theatre, no bairro do Soho, em Londres, coloca uma placa na calçada e organiza a fila de interessados. Para você conseguir um ingresso é preciso chegar cedo e contar com a sorte, pois nem sempre há ingressos de devolução. Mas vale o risco! Eu cheguei ao Palace por volta das 6h30 da manhã. É importante também levar uma quantia em dinheiro para efetuar o pagamento, pois eles não aceitam cartão (apesar de ter um caixa bancário bem em frente ao estabelecimento, caso você não tenha dinheiro vivo com você). Por £ 50 cada ingresso (aproximadamente R$ 235), consegui assistir à peça no Grand Circle, também conhecido como balcão 2. Não era uma pista premium (e o preço é bem salgado), mas a verdade é que estava me contentando com qualquer assento.
O roteiro funciona muito bem na prática, os efeitos especiais são impecáveis, de cair o queixo, e os atores estão todos muito bem ensaiados. É possível enxergar resquícios da personalidade de cada personagem que já conhecemos, tanto nos livros quanto nos filmes, em cada um deles. Você também vai tomar alguns sustos ao perceber que algumas coisas que já estavam tão formadas em nossa mente mudaram um pouco (talvez o Chapéu Seletor da peça não seja assim tão pontudo e falante). A equipe de efeitos visuais, som e luzes trabalha a todo momento em parceria com os artistas. Sincronicidade talvez seja a palavra certa para descrever o conjunto da obra.
Mantendo os segredos, mas, ao mesmo tempo, te fazendo sonhar ainda mais com toda essa magia, montei um TOP 5 com os meus melhores momentos de Harry Potter and The Cursed Child:
#5. Essa é a Gina que eu conheço!
Na peça, a personagem Gina Weasley é interpretada pela atriz Poppy Miller e lembra muito mais a Gina dos livros que a dos filmes. Muitos fãs da saga questionam a personagem interpretada por Bonnie Wright, que teve pouco destaque e foi pouco explorada pelos diretores. Assistindo a Cursed Child, temos aquele sentimento de”agora, sim! Esse é o mulherão que amo!”. Decidida, forte, inteligente e girl power! Mas, ao mesmo tempo, amorosa e compreensível, uma verdadeira Wesley. Dá orgulho!
#4: Que trilha sonora é essa?
Todas as músicas da peça são exclusivas e foram escritas para a produção teatral. Assim como todo o trabalho musical da saga Harry Potter, a trilha é impecável! Somada aos efeitos sonoros, que vêm na hora certa e ajudam a criar um clima de tensão e mistérios à história, não há o que questionar. Uma das minhas favoritas é a Becoming The One Who Must Not Be Named, que toca no momento em que Harry se transfigura em Lord Voldemort. Imogen Heap e Jamie Harrison foram os responsáveis pelas músicas, arranjos e produção.
#3: Tem água no palco!
Durante a parte 1, a cena do Lago Negro, onde ocorre a segunda prova do Torneio Tribruxo, é reproduzida e o palco se enche de água. Como isso acontece? Bom, isso nós não podemos revelar. Afinal, #KeepTheSecrets! Contudo, na parte 2, mais água é colocada em cena e o que podemos adiantar é que você vai se surpreender com a forma como esse item é inserido na peça. E não é só o chão que fica úmido, não, viu? A água preenche todo o palco. Mágico demais!
#2: Por favor, não deem um Expecto nesses dementadores, ok?
Uma das cenas que mais surpreendem em toda a apresentação acontece durante a parte 2, quando temos um ataque de dementadores, que flutuam em cima do palco e voam pela plateia. No momento em que isso acontece, todo o teatro fica bastante gelado e nebuloso, e é muito fácil imaginar que em breve você vai receber o sofrido beijo dessa criatura das trevas. Brrr!
#1: Scorpius Malfoy e Ron Weasley são os melhores!
Os personagens, respectivamente interpretados pelos atores Anthony Boyle e Paul Thornley, roubam a cena! É claro que todos os atores, inclusive os de apoio, são essenciais para que toda a peça seja um sucesso, mas esses foram os meus favoritos. Anthony dá a Scorpius, personagem que a gente até então não conhecia tão profundamente, muita autenticidade. Paul, por outro lado, constrói um Ron, personagem já bastante querido do público, inteiramente possível, real e verdadeiro, o que só acrescenta. Tietei demais!
SERVIÇO
Local: Palace Theatre
Endereço: Shaftesbury Ave, Soho, London W1D 5AY, Reino Unido
Horário das apresentações: quarta-feira, sábado e domingo (partes 1 e 2), quinta-feira (somente parte 1) e sexta-feira (somente parte 2). Ou seja, quarta, sábado e domingo são os melhores dias para investir nos ingressos de devolução. Fica a dica! 😉